Barriga no ar
Barriga no ar
Publicado em Janeiro deste ano pela não (edições), “A Barriga no Ar” introduz-nos na poesia de Gertrude Stein (1874-1946), figura central das vanguardas que agitaram águas nas primeiras décadas do século XX.
Inédito até 1953, “Lifting Belly” apareceu finalmente no volume “Bee Time Vine and Other Pieces (1913 to 1927)”, reunião de composições primitivas que revelam já uma Autora no pleno domínio de estratégias com o propósito de minar as convenções da poesia lírica celebrando a liberdade de um erotismo cantado nas suas múltiplas possibilidades:
«A barriga no ar é uma carícia permanente.
A barriga no ar está aborrecida.
Não me digas.
Barriga no ar agora.
Vaca.
A barriga no ar é exata.
Vim-me muitas vezes com esta coisa.
A barriga no ar é necessariamente aventureira»
Dividido em três partes, o poema apresenta um léxico bastante acessível, apesar do discurso tender para uma confusão de sentidos que coloca as interlocutoras do poema num plano intimista, aparentemente doméstico, falando a esmo sobre as suas vidas e o mundo. «“Lifting Belly” é o casal, mas também a linguagem e o acto de compor o texto que virá a definir o casal», argumenta a poeta Christine Scanlon no ensaio “Lifting Belly: The Language of (In)Visibility” (2013).
Nascida nos Estados Unidos da América, a Autora mudou-se para França em 1903 e por aí se fixou.
Está sepultada no Père Lachaise, entre meio mundo com quem conviveu em vida. Foi estudante no Johns Hopkins School of Medicine antes de haver desistido do curso para se tornar coleccionista de arte, travando assim conhecimento com Picasso, Ezra Pound, James Joyce, Matisse, F. Scott Fitzgerald, Sherwood Anderson, Picabia, Apollinaire, entre tantas outras figuras de proa numa sociedade dominada por homens que então olhavam com espanto e repúdio a reivindicação de direito ao voto pelas sufragistas.
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