José Vilhena (por Rui Zink)
José Vilhena (por Rui Zink)
Este álbum recolhe trabalhos de José Vilhena dispersos pelas publicações “A Gaiola Aberta”, “O Fala Barato”, “O Cavaco” e “O Moralista” juntando-lhes uma pintura até agora inédita.
A obra de José Vilhena reflecte o olhar irónico que estendeu do campo político ao erotismo e, se não poupou as contradições da ditadura, também não o fez com o pós-25 de Abril. A biografia não autorizada dos anos do 25 de Abril foi da quinzenalmente na “Gaiola Aberta”, enquanto a normalização deu lugar aos mensários “O Fala Barato”, “Cavaco” ou “O Moralista”.
Aos muitos “cartoons” satíricos, o álbum “José Vilhena” adiciona, segundo a editora, “um livro de pintura e desenho”, onde constam retratos “do espírito e da forma, da forma do espírito e do espírito da forma. E, claro, da mulher”.
José Vilhena (1927–2015) foi um dos nomes mais singulares e irreverentes da cultura portuguesa do século XX. Artista plástico, ilustrador, escritor e humorista, construiu uma obra marcada pela sátira e crítica social em tempos de censura. As suas caricaturas - imediatas, incisivas e profundamente políticas - atacavam o moralismo, a autoridade e a hipocrisia institucional, valendo-lhe sucessivos problemas com o regime do Estado Novo.
Paralelamente, publicou dezenas de livros e revistas de humor gráfico, muitas vezes produzidos de forma artesanal e clandestina, que se tornaram peças de culto. No desenho, cultivava uma linha expressiva e despojada, capaz de reduzir uma figura pública ao seu traço mais vulnerável ou ridículo.
Vilhena fez da sátira uma forma de resistência e do riso um acto de liberdade. A sua obra continua a ser lembrada pela coragem, pela originalidade e pelo modo como desafiou as convenções políticas e culturais do seu tempo.
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