Não chega para todos
Não chega para todos
Heiner Müller (1929–1995) ocupa um lugar singular no teatro europeu do pós-guerra: dramaturgo, poeta e ensaísta, escreve a partir das ruínas históricas do século XX, nazismo, socialismo real e triunfo tardio do capitalismo, ao mesmo tempo que trabalha a partir dos estilhaços da linguagem mediante uma escrita de montagem, de choque e de opacidade deliberada, onde a história aparece como repetição espectral de violência.
Nos textos reunidos em «Não Chega para Todos», o capitalismo é entendido não apenas como um sistema económico, mas uma máquina de excesso e escassez em simultâneo, onde a promessa de abundância se inverte continuamente em exclusão.
Müller pensa o presente como catástrofe administrada, sem exterior, sem redenção, apenas com variações de um mesmo conflito numa cartografia crítica da modernidade tardia.
Fragmentos, entrevistas, poemas e reflexões dramatúrgicas compõem uma visão em que a economia surge inseparável da guerra, da linguagem e da pulsão de morte das sociedades contemporâneas, onde a promessa de universalidade encontra sempre o limite material e político da desigualdade.
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