O inventor de vendavais
O inventor de vendavais
«O vulto era uma árvore. Mas uma árvore muito especial. Era uma árvore negra, muito negra, escura, dura e fria como ferro. Mas havia uns bocados em que o negro tinha saído, como que raspado por alguns arranhões. Podia ver-se que existia dentro dela um brilho extraordinário, uma luz de ouro muito agitada, que fazia o som de uma coisa a ferver.
Devia ser uma luz muito poderosa, com a sua cor tão forte que, por vezes, se tornava vermelha. Mas, como quer que fosse, ela não estava nada feliz. Batia contra o tronco e os dedos tinham um barulho de metal.»
Seria bom que o Prémio Camões, que em 2015 lhe foi atribuído, contribuísse para chamar a atenção para a obra de Hélia Correia, autora avessa a holofotes e uma das grandes vozes da literatura portuguesa contemporânea.
Hélia Correia (1949) é uma escritora portuguesa contemporânea. Licenciou-se em Filologia Românica e é professora de Português do Ensino Secundário. Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980, embora os seus contos, novelas ou romances estejam sempre impregnados do discurso poético.
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