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Textos avulsos, inéditos e dispersos

Textos avulsos, inéditos e dispersos

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A obra de Luiz Pacheco é muitas vezes lida em função dos episódios singulares e controversos que marcaram uma vida de intensa deambulação, que condicionou, seguramente, o desenvolvimento de alguns projetos, ao mesmo tempo que definiu um estilo literário peculiar e a escolha dos géneros literários mais adequados à expressão criativa do nomadismo físico e intelectual.

Essa circunstância biográfica convive com outros aspectos decisivos, embora menos lembrados, como a riqueza e a pluralidade dos âmbitos que explorou enquanto leitor omnívoro, o rigor da atividade de editor dos próprios textos, as campanhas obsessivas de planificação e reelaboração dos projetos estruturantes da sua obra ou o carácter experimental dos diários, incluindo os que permanecem inéditos.


Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos apresenta alguns exemplos dessa pulsão criativa, através de um trabalho de investigação no espólio pessoal de Pacheco à guarda da família, a que acresce uma recolha de crónicas nunca reunidas em volume pelo escritor. Este volume é publicado em simultâneo com uma antologia de éditos.

Luiz Pacheco (1925‑2008) é um dos mais plurais representantes da literatura portuguesa do século xx. Tendo começado a sua atividade na segunda metade da década de 1940, começou por se notabilizar pela inscrição no contexto do movimento surrealista português e pela editora Contraponto.

A partir do início da década de 1960, acompanhando um ritmo vital marcado pelo profundo nomadismo e controvérsia, Pacheco desenvolveu um projeto literário muito pessoal, cruzando géneros literários diversos, convocando criativamente aspectos provenientes de várias tradições e movimentos e fazendo da sua aventura biográfica a matéria‑prima fundamental.

A sua obra passou por uma ampla reflexão sobre a categoria do libertino, pela reiterada contestação livre do regime salazarista e do meio literário edificado depois da Revolução dos Cravos e pela teoria e prática do Neo‑Abjecionismo.

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